Sessão 05

 

Sementes e melhoramento genético, os primeiros passos de uma agricultura que contraria

Autor: Carla Mendes

         Para toda caminhada, o primeiro passo é, invariavelmente, o mais importante. Na agricultura não é diferent e para qualquer produtor, em qualquer parte do mundo, são os primeiros passos que irão determinar seus resultados safra a safra. Dessa forma, a escolha das sementes que ele irá utilizar são determinantes. A tecnologia embarcada nas variedades dispon´vies no mercado tem sido um dos princiapis insumos par ao desenvolvimentos e crescimento tão expressivos da produção agropecuária global. 

         O melhoramento genético mudou a cena das principais culturas em todo mundo. E este tem sido, ao lado de outras revoulções, combustível para o conceito da "agricultura da contrariedade". Afinal, essa genética que vem sendo melhorada, temporada a temporada, para sementes de produtos determinantes na agricultura mundial contraria condições naturias onde muitas coisas não seriam possíveis, onde muitas tentativas não germinariam.

         As tecnologias sozinhas, porém, não realizam grandes mudanças. São necessárias pessoas que saibam identificá-las, otimizá-las e, principalmente, que saibam reconhecer oportunidade de implementá-las. Harry Stine é um dos personagens desta recolução. Fundador da Stine Seed, que nasceu na década de 1950, e vindo de uma família tradicional de produtores rurais norte-americanos, Harry contrariou mais do que expetativas, mas resultados. 

         O especialista há décadas se debruça sobre o melhoramneto de sementes de soja e milho, dois dos produtos mais cultivados no mundo, e em uma das provas de que de fato contraria o conhecido, afirma que colocar um teto sobre o potencial produtivo não é a maneira mais correta de se peansar. Defende que grandes saltos de rendimento não são realistas, mas sim o ajuste constante na tecnologia para que ela possa driblar desafios das mais diversar naturezas, como condições climáticas, pragas, doenças, resistência a químicos e quaisquer novos obstáculos que possam vir a aparecer.

         Stine acredita, portante, que produtividade e rentabilidade são conceitos que devem caminhar lado a lado no planhejamento dos produtores rurais. E juntas, elas serão capazes de auxiliar o agricultor a profissionalizar e direcionar melhor seus investimentos. 

         Como um nato reconhecedor de oportunidades, Harry está trazendo a Stine Seed para o Brasil, o maior mercado de sementes do mundo. "Não queremos nada além de 100% do mercado", afirma ele, reiterando que quer trazer aos produtores o melhor germoplasma do mundo, com as melhor custo-benefício que eles possam ter . Assim, mais uma vez reforça que impor limites pode não ser a melhor forma de contrariar o que é preciso para se chegar mais longe. O início dos trabalhos de sua companhia, uma das mais tradicionais dos EUA, começa pelo Mato Grosso e vai se expandindo. 

         "Gostaríamos de expandir, principalmente nas duas culturas de soja e milho. Acreditamos que temos as pessoas e a genética para isso, e que podemos ser bem competitivos e ajudarmos os produtores", responde Harry quando questionado quais as estratégias da Stine Seed para o país de onde deverá vir a maior parcela da oferta mundial de alimentos nas próximas décadas. 

         Harry Stine é um daqueles líderes que mais do que oportunidades, reconhece pessoas, lugares e potenciais. Sua empresa hoje trabalha com a China, o maior comprador mundial de commodities agrícolas, e relata relações bastante prósperas. E arrisca dizer ainda que a Stine Seed é mais conhecida na nação asiática do que nos EUA, status que se dá, principalmente, por conta do papel da soja neste 'casamento'. 

         Essa é, mais uma vez, a confirmação de como é importante contrariar para crescer. E é isso um dos principais empresários do agronegócio norte-americano vem fazendo, há décadas, ao olhar muito além de suas fronteiras.

Paulo Herrmann

Coragem e ciência, as pontes sólidas da evolução do agronegócio brasileiro



Autor: Carla Mendes

 

Ouvir o presidente da John Deere no Brasil, Paulo Hermann, é acreditar que o Brasil é, de fato, o protagonista absoluto da produção agropecuária mundial. E não só por vocação. Não. Porque somos uma mistura de coragem, com pesquisa, ciência, inovação, força e, como ele mesmo diz, "um pouco de sorte". E não bastando, adicionamos ainda uma pitada de contrariedade e nossos números são mais do que surpreendentes.

O potencial do Brasil começou a ser identificado e otimizado nos últimos 50 anos, quando passamos de importadores a produtores em escala e exportadores de alimentos. Na década de 1970, a área produtiva brasileira era de, aproximadamente, 40 milhões de hectares que resultava em uma produção de 40 milhões de toneladas de grãos. Cinco décadas depois, passamos a 66 milhões de hectares para impressionantes 252 milhões de toneladas produzidas.

Para Hermann, a importância do Brasil é tamanha que nos serviria de subsídio para que pudessemos nos inscrever em concursos, desafios, ou coisas como estas, é verdade. Mais do que isso, ele acredita que os dados que hoje o país acumula são combustível para que os brasileiros possam, de uma vez por todas, redescobrir, ressaltar e destacar este Brasil. São dados que esclarecem o Brasil para sua própria população. E assim, consequentemente, para o mundo.

O presidente da John Deere Brasil é um dos principais líderes do setor e, atualmente, um dos mais requisitados entre cursos, palestras, seminários, congressos e as frequentes lives dos "novos normais" impostos pela pandemia do novo coronavírus. Talvez por ser representante do histórico e, principalmente, entusiasta do futuro que carrega o agronegócio brasileiro. Segundo ele, em uma projeção conservadora, a produção nacional de grãos chegue a 300 milhões de toneladas nos próximos 10 anos.

No entanto, assim como mais líderes em todo país, Hermann lembra que este Brasil ainda não é o que está na manchete, que está na parte boa das notícias. "Ainda temos um Brasil que é achincalhado por inverdades", lamenta. É preciso, ainda como orienta, revermos nossas estratégias de comunicação de forma que elas sejam práticas, eficientes e, principal e especialmente, educativas.

Caso o Brasil ainda contasse com o mesmo - limitado - potencial produtivo da década de 1970, teríamos de ter ampliado nossa área de produção para 200 milhões de hectares cultivados. Em suma? A mistura nacional de coragem, vanguarda, ciência e contrariedade nos economizou 150 milhões de hectares. E onde estão? Preservados, protegidos e construindo mais motivos de orgulho para o Brasil. Temos feito mais, em menos espaço. Temos produzido mais, preservando AINDA mais.

Se nos pautamos em Paulo Hermann, Paulo Hermann se pauta em outros grandes nomes. Ele cita como personagens dessa evolução responsável da agropecuária brasileira personalidades como o ex-ministro da Agricultura Dr. Alysson Paolinelli, um dos idealizadores e fundadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); Nono Pereira; Herbert Bartz - personalidade determinante para o sucesso do plantio direto no país - e tantos outros.

Se pauta, mais uma vez, em nomes de coragem, em décadas e décadas de dedicação e estudo à vocação que é tão natural deste país: alimentar pessoas.