Sessão 02

FoodTech & AgTehc: Conceitos que mostram de onde e como vem a comida até a sua mesa

Autor: Carla Mendes

         Nos últimos anos, comer se tornou mais do que um hábito e passou a ser uma experiência. E uma experiência detalhada, cheia de sensações que uma boa refeição proporciona. Alimentos frescos, saudáveis, bem preparados e, o principal ingrediente dos novos tempos: origem conhecida. É, o consumidor está cada vez mais exigente e atento à comida que consome e a tecnologia, mais uma vez, está a seu favor quando o assunto é este. O que começa com uma commodity agrícola negociada nas bolsas de valores passa por inúmeros processos e pessoas de uma complexa cadeia produtiva e de abastecimento para que se torne um alimento nutritivo e, principalmente, atrativo para o consumidor final. Os elos dessa cadeia, dessa forma, precisam estar, a todo momento, se adaptando e evoluindo para que estes processos se mostrem cada vez mais eficientes, sustentáveis e transparentes para o comprador.

         E a inovação tem sido determinante para estas mudanças. Líderes de importante setores da tecnologia tem aprimorado alternativas que sejam capazes de otimizar essa evolução do agronegócio global, da produção de alimentos mais especificamente, para que a comida que chega a mesa de bilhões de pessoas diariamente carregue ainda mais tecnologia embarcada. Por isso é possível observar o pujante e constante crescimento de startups focadas no setor.         E assim tem sido o desenvolvimento da carreira de Bruce Rastetter, um importante e experiente empresário agrícola norte-americano, CEO do Summit Agricultural Group e reconhecido por sua atuação em importantes casos de recuperação de empresas do setor. Além de sua experiência e network, um do principais diferenciais que carrega é sempre encontrar uma visão que contrarie o momento atual de forma a encontrar saídas e alternativas ao enxergar como solução o que outros veem como problema.

         Seus objetivos variam entre solucionar gargalos, aprimorar conceitos, introduzir outros novos e aproximar o produtor rural dos demais profissionais que participam das etapas de processamento e escoamento dos alimentos. Para isso, estas empresas emergentes têm firmado parcerias sólidas com companhias do setor, multinacionais líderes de mercado, e investido em inserir cada vez mais os conceitos de foodtech e agtech na produção e comércio, criando um ambiente moderno para toda a cadeia.

         Estas startups vêm desenvolvendo modelos de negócio e produção que aumentam a agilidade, a conectividade, a produtividade e ainda intensificam a sustentabilidade e a transparência dos alimentos. Ao comprar uma xícara de café é possível conhecer todo o caminho da produção do grão de uma das bebidas mais consumidas do mundo, por exemplo. Basta ler o QR Code com seu smartphone em um copo descartável. E isso já chegou ainda à frutas, legumes e carnes em muitos países.

         Somente em 2019, mais de 4 mil empresas de agtech, foodtech e indoor agtech - esta última com foco em agricultura de ambiente controlado para culturas alimentares - foram monitoradas e acompanhadas pela equipe da Better Food Ventures, um dos grupos mais reconhecidos no mundo quando o assunto é tecnologia na produção de alimentos, para que o potencial do atual cenário pudesse ser desenhado. O time, liderado por por Rob Trice seu sócio fundador, é referência não só em tecnologia, mas em agregação de valor, o principal resultado e benefício de toda essa nova revolução tecnológica que vem sendo proposta.

         Uma das principais conclusões do estudo é de que este é um mercado de nada menos do que US$ 13 trilhões e com espaço para crescimento na medida em que a injeção de tecnologia e investimento continuar acontecendo. Afinal, já é sabido por estes líderes que a demanda mundial por alimentos, especialmente em países emergentes, não é só crescente, como cada vez mais sofisticada e exigente.

         Dessa forma, não só a transparência, a sustentabilidade e a produtividade são importantes para o desenvolvimento deste consumo diferenciado, mas também a rastreabilidade. E este é um dos principais focos das startups. Seja na parte do mundo em que estiver, o consumidor quer saber de onde e como veio o que está comprando, o valor agregado e a tecnologia colocada ali. Mais do que isso, quer conhecer o valor social e econômico daquele produto.         Com a visão de profissionais como Bruce Rastetter e com a contrariedade natural do produtor brasileiro é que o Brasil foi, aos poucos, aprimorando a produção de milho, transformando-a de uma cultura 'simples' de cobertura para consolidar duas safras anuais e com tecnologia e inovação podendo chegar à uma terceira.

         Assim, o que se espera e pelo que trabalham grupos como o Better Food Ventures, é uma contínua transformação e evolução da cadeia de suprimentos. Ainda citando Rob Trice, "essa transformação digital irá desbloquear e criar um valor de mercado totalmente novo em todo o ecossistema global agrícola e alimentar", levando comida de qualidade, adequada às preferências e necessidade de cada povo a cada vez mais pessoas.

Frederico Logemann

As tradicionais e conhecidas 'Startups Raiz' do Agronegócio Brasileiro

Autor: Carla Mendes

         A produção agrícola foi abrindo inúmeros caminhos para o desenvolvimento do Brasil e um dos principais impulsos para que isso fosse possível foi a ambição. Grandes grupos que começaram pequenos, frutos de negócios familiares, serviram de ponte para este movimento que se desenvolveu na medida em que a agricultura ia se crescendo e se espalhando país a fora. Inúmeros profissionais foram, aos poucos, deixando o Sul brasileiro para levar conhecimento à áreas como o Cerrado ou a região hoje conhecida como MATOPIBA (combinação dos estados do Maranhão Tocantins, Piauí e Bahia), se valendo de estratégias acertadas, porém, adaptadas para diferentes épocas e ambientes.

         O movimento é mais um desses que contrariam conceitos prontos e informações ditas tantas vezes que acabam se tornando verdades absolutas. Mesmo que não sejam. É apostar na evolução que gera crescimento. Fundado há 75 anos, o grupo SLC nasceu em Horizontina, no Rio Grande do Sul, e depois de muitos riscos assumidos, adaptações de estratégias e coragem de seus líderes, hoje atua em todo Brasil, contando com 35 unidades e registrando um faturamento anual de R$ 3,1 bilhões. A empresa tem capital aberto na bolsa brasileira, emprega mais de 4 mil colaboradores e não para de evoluir.

         Na definição de um de seus diretores, Frederico Logemann, a SLC é uma startup de 75 anos. A inovação constante, que hoje é uma marca do agronegócio brasileiro, acompanha o grupo desde o começo de seus trabalhos e de sua trajetória. Talvez por isso, a história da empresa registre marcos tão importantes para a agricultura nacional, como o desenvolvimento da primeira colheitadeira de grãos do Brasil e, na década de 1990, a venda de parte da empresa para a John Deere, em uma movimento também bastante audacioso para a época.   

         Os desafios que o grupo foi acumulando transformaram-se também em caminhos para as novas gerações, bem como a coragem em assumir riscos que sempre foi uma marca dos líderes da SLC, o que permitiu que a empresa fosse hoje não só como um dos grandes players do agro nacional, mas também excelente exemplo de sucessão familiar. Alinhando tradição e futuro, no presente os maiores objetivos do grupo são continuar a impactar positivamente as novas gerações, seguir como líder no setor, e fazendo respeitando o planeta. Essas três diretrizes têm regido as transformações da SLC e da produção nacional.

         O agronegócio brasileiro passa por um novo momento de transformação e revolução, principalmente tecnológica. E é justamente esta ambição, que foi combustível para a SLC, que vem dirigindo o novo momento da produção agropecuária brasileira. O setor tem sido favorecido pelo surgimento de inúmeras startups focadas no desenvolvimento de soluções que possam otimizar o dia a dia do produtor rural, permitindo que ele otimize seus custos e, consequentemente, seus resultados. O aperfeiçoamento de técnicas e de tarefas das mais diferentes naturezas, por meio das startups e da tecnologia, nada mais é do que a adaptação de estratégias às novas realidades e aos novos momentos.

         E é isso que a SLC tem feito há 75 anos, mostrando ao agronegócio brasileiro que é preciso ir em frente e abrir as porteiras para o novo, expandir fronteiras, agregar valor e arriscar com consciência. Que grandes diferenças vêm com coragem e grandes líderes. A SLC é, de fato, uma peça em um tabuleiro enorme que se tornou a produção nacional. E o protagonismo é todo do Brasil, só é preciso saber aproveitar.

 


 

 

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