Sessão 01

Oportunidade x Desafios: O que o agronegócio apresenta?

Autor: Carla Mendes

         O acúmulo das experiências que um ser humano vivencia e o conhecimento que compartilha ao longo da vida o fazem ser o que é. Mais do que isso, as pessoas que passam por seu caminho e a ampla rede de contatos que nasce do dia a dia te agregam ainda mais perspicácia para que seja possível enxergar as dificuldades como grandes oportunidades. Network.

         A inovação e as soluções de comunicação e tecnologia têm permitido ampliar essa rede entre produtores rurais no mundo todo e vêm tornando o cenário agropecuário mundial mais conectado, promovendo troca de experiências e o compartilhamento de soluções

para problemas que possam ser comuns em diferentes países.

         E assim tem sido o desenvolvimento da carreira de Bruce Rastetter, um importante e experiente empresário agrícola norte-americano, CEO do Summit Agricultural Group e reconhecido por sua atuação em importantes casos de recuperação de empresas do setor. Além de sua experiência e network, um do principais diferenciais que carrega é sempre encontrar uma visão que contrarie o momento atual de forma a encontrar saídas e alternativas ao enxergar como solução o que outros veem como problema.

         Em 2011, Rastteter participou da recuperação da planta de processamento de carne bovina Iowa Premium Beef, em Tama, no estado de Iowa que estava em um processo semelhante ao de recuperação judicial. A processadora foi fechada em 2004. O executivo afirma que foi determinante para a retomada que a equipe contasse com profissionais experientes, que conhecessem o mercado e fossem capazes de reestruturar o sistema de gerenciamento da empresa.

         E confiança. Foi preciso que o empresário confiasse ainda nas suas escolhas, no seu network e no grupo de investidores que naquele momento assumia a Iowa Premium Beef, que hoje se destaca como a maior processadora de carne bovina do estado e é referência de qualidade e sanidade nos Estados Unidos.

         O mesmo se deu em 2019, quando Rastetter ampliou sua atuação no mercado global de etanol ao investir na planta da holding FS Bioenergia, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, Brasil. Ao falar sobre esse investimento e, principalmente, essa iniciativa a primeira coisa a que o empresário se refere é ao time que escolheu para colocar em pleno andamento uma processadora de milho para a produção de etanol.

         Profissionais que fizeram parte de sua carreira foram, mais uma vez, escolhidos com muito critério, mesmo ele estando envolvido diretamente com o planejamento e andamento do projeto. Mais do que isso, o executivo cita ainda os diferenciais - mercadológicos, climáticos e naturais - que o Brasil carrega para o setor, inclusive a possibilidade de se cultivar duas safras por ano do cereal.

         E por isso, soluções e estratégias utilizadas na produção de milho dos EUA - onde um terço da produção do grão é utilizada para esta finalidade - foram adequadas e implementadas no Brasil, bem como o que dá certo por aqui, também serve para o cenário norte-americano. E essa dinâmica se estende pela comercialização, compra, venda, custos de produção, logística e até mesmo a burocracia de se iniciar um novo empreendimento no país.

         Com a visão de profissionais como Bruce Rastetter e com a contrariedade natural do produtor brasileiro é que o Brasil foi, aos poucos, aprimorando a produção de milho, transformando-a de uma cultura 'simples' de cobertura para consolidar duas safras anuais e com tecnologia e inovação podendo chegar à uma terceira.

         Há uma projeção de que o Brasil aumente sua produção de grãos em 10 anos em 27%, alcançando 318,3 milhões de toneladas, e o milho é um dos motores deste crescimento, de acordo com informações do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. O potencial é enorme. As oportunidades, mais ainda.

Aline Bortolli

Sucessão familiar no campo: Raízes que alimetam novos e prósperos galho

Autor: Carla Mendes

         Só é possível saber para onde se vai, ou para onde se quer ir, no momento em que se sabe de onde veio. E talvez a sucessão familiar e seu processo no campo sejam mais sobre origem e raiz do que, efetivamente, sobre futuro. É preciso conhecer como tudo começou para que as mudanças a serem implementadas em uma propriedade, em um modelo de negócio ou gestão possam ser eficazes. E o agronegócio brasileiro é cheio desses bons exemplos.

         Ao contrário do que acontecia décadas atrás, quando os jovens deixavam o 'trabalho na roça' para buscar melhores condições de vida, as novas gerações hoje são capazes de enxergar todo o potencial dos negócios de família e como precisam se especializar e se aperfeiçoar, para que possam suceder seus pais, avós e até mesmo gerações ainda mais distantes na produção agropecuária. Além de tudo isso, as novas gerações, enfim, se deram conta de que é preciso estar em perfeita sintonia com a história de como se chegou até ali para que possam dar continuidade ao caminho.

         A raiz de uma planta é como seu eixo central. É a parte que atua como seu ponto de fixação no solo e o órgão que age para que nutrientes e água sejam absorvidos para sua sobrevivência. E o que mantém as sobrevivência e alimenta o sucesso dos grandes grupos familiares que são verdadeiros cases de sucesso na produção nacional são suas raízes.

         As novas gerações vêm atuando como firmes e altamente produtivos galhos de uma frondosa árvore. São galhos que, apesar de estarem fortemente 'presos' a seu pilar central, são independentes e capazes de garantirem resultados tão fortes e importantes como sua raiz. E uma das histórias mais promissoras do Brasil é a do Grupo Bom Futuro. Um de seus lemas é "renovar para o futuro acontecer", o que resume bem a forma como uma de suas executivas - e uma das herdeiras dessa história incrível -, Aline Bortoli, apresenta a trajetória da família que ajudou a mudar a história do estado de Mato Grosso e da produção de grãos do Brasil.

         Aline se orgulha ao lembrar que tudo começou com a resiliência e a coragem da avó gaúcha, que partiu do Rio Grande do Sul com os filhos para o Paraná e os filhos do Paraná para Mato Grosso. E assim o Grupo Bom Futuro foi nascendo de um vigoroso e eficiente processo de sucessão familiar. Aos poucos, a família foi ampliando sua atuação e seus valores aos seus colaboradores, resgatando a história, mantendo a essência e adaptando-as às necessidades de cada novo tempo.

         Para que tudo isso fosse possível, sabe também que foi preciso unir e alinhar as qualidades de cada um dos membros que deram início a este processo - como visão, empreendedorismo, trabalho duro, dedicação e o dom de enxergar como oportunidade cada novo desafio que se apresenta a medida em que os problemas surgem. E foi disso que o grupo, como o próprio nome já diz, se fez: história e futuro.

         O passado lhes serve como raiz. O passado serve como experiência que mitiga efeitos de qualquer crise que possa lhes acometer, lhes serve como a vivência que tira a lente de aumento dos problemas e a transfere para o campo das soluções. Os mais de 30 anos de passado lhes abriram área para o futuro e para atividades que vão muito além de agricultura. Hoje, o grupo atua também com pecuária piscicultura, sementes, energia, aeroportuário e imobiliário.

         A renovação - e jamais a substituição pura e simples - lhes fez de modelo de inovação, tecnologia, sustentabilidade - em todas as suas esferas - e empreendedorismo. No Brasil e no mundo. Foi sua raiz saudável e cuidadosamente cultivada que lhes permitiu um alcance tão amplo e d

uradouro.